"A Gabriela é uma faísca que atiça outras'
Ligada à dança mas
com o bichinho da interpretação, Eunice Freitas dá vida à professora
Gabriela em ‘Morangos com Açúcar’, série exibida na TVI.
- Como foi a experiência dos ‘Morangos com Açúcar’?
Aprendi
bastante com todos. Tanto actores como técnicos de som, de luz,
câmaras, realizadores. A representação é uma área na qual podemos
absorver muito conhecimento, não só directamente, quando estamos a
fazer as nossas cenas, mas indirectamente, pelo trabalho de equipa. É
muito importante ouvir os técnicos e criar uma boa relação, pois
podemos aprender muito com o trabalho de equipa.
- Pode especificar melhor essa aprendizagem com a equipa?
Por
exemplo, com as câmaras. Uma cena pode melhorar muito mais se o
posicionamente da câmara for o perfeito e familiar. Se não tivermos uma
relação de equipa com o operador de câmara, isso passa um pouco ao
lado. Acaba por ser um bocado da nossa intuição. É muito importante o
trabalho de ouvir os técnicos e criar uma boa relação.
- Como caracteriza a Gabriela?
Para
a Gabriela a palavra impossível não existe. Para ela tudo é possível e,
devido a esse positivismo, atrai pessoas à sua volta e tem o apoio de
todos. Acho que a personagem é uma faísca que atiça as outras pessoas,
os alunos e mesmo pessoas que eram ‘inimigas’. Ela acaba por passar por
cima dos problemas pessoais para poder ajudar nesse sentido, da
perseverança e da humanidade. É uma personagem bonita. Tenho pena de
não ter tido nenhum namorado na série e que a Gabriela só tenha tido
vida profissional, porque ela acaba por falar da sua vida pessoal só em
relação ao passado. Mas acaba por, ela própria, não ter muito espaço
para mostrar a sua personalidade, enquanto pessoa que gostaria de
partilhar e amar.
- Identifica-se com ela?
Sim,
em algumas coisas. Aquilo com que mais me identifico é o seu
positivismo. É uma pessoa que está sempre preocupada com os alunos e
com as pessoas que a rodeiam. Ela também é uma sonhadora, porque ajuda
os alunos a conquistarem um sonho. A Gabriela leva-os a acreditar nas
coisas positivas e nos sonhos. Sou uma pessoa sonhadora.
- Houve pessoas marcantes para si na série?
Gostei
muito de conhecer o Nicolau Breyner profissionalmente. Ele
transmite-nos muita calma e confiança. Isso é muito importante quando
estamos a contracenar com alguém. Nas primeiras cenas fiquei nervosa,
pela responsabilidade que era estar a contracenar com ele, mas, ao
mesmo tempo, sentia-se uma grande calma. Isto porque confiamos no
trabalho dele e é sempre uma surpresa, no sentido em que há qualquer
coisa que ele acrescenta à cena, uma palavra, uma frase, que eu, no meu
trabalho de casa, não pensei e não cheguei lá.
- Gostaria de destacar outras pessoas?
Também
me dei muito bem com o Gustavo (Rodrigo Soares), porque é uma pessoa
muito divertida e sempre bem disposta. Com a Marta (Sylvie Rocha)
também me dei muito bem. Aprendi muito com ela.
- Uma situação caricata nas gravações...
Nós
temos um determinado tempo para estar prontos no décor e, normalmente,
damos uma estimativa até lá chegar. Mas há situações que se antecipam.
E houve uma vez em que pensava que demorava menos. Então, estava na
casa de banho e tinha a assistente de realização a bater à porta. Eu
expliquei que não podia sair. Depois, cheguei ao décor e o realizador
começou a gozar comigo. A partir daí, cada vez que chego ao décor,
perguntam sempre se estive na casa de banho.
- Fazer ‘Morangos com Açúcar’ foi...
Veio
distanciar-me da dança mas, ao mesmo tempo, veio ajudar-me a olhar com
outros olhos para a interpretação. Consegui, através de ‘Morangos’,
perceber que há várias formas de interpretação e que tudo depende do
contexto onde se está, com quem se está a contracenar. Depende do que
se tem vestido, dos minutos que temos para fazer a cena, do tempo de
preparação. A minha ideia de interpretação mudou com a participação nos
‘Morangos’. Aprendi várias técnicas diferentes de interpretação.
Veio
distanciar-me da dança mas, ao mesmo tempo, veio ajudar-me a olhar com
outros olhos para a interpretação. Consegui, através de ‘Morangos’,
perceber que há várias formas de interpretação e que tudo depende do
contexto onde se está, com quem se está a contracenar. Depende do que
se tem vestido, dos minutos que temos para fazer a cena, do tempo de
preparação. A minha ideia de interpretação mudou com a participação nos
‘Morangos’. Aprendi várias técnicas diferentes de interpretação.
PERFIL: EUNICE FREITAS
Nasceu
em Lisboa e tem 28 anos. É do signo Gémeos. Licenciada em publicidade e
marketing, profissão que não exerce, está actualmente a estudar uma
segunda licenciatura, agora na área da dança.
AMBIÇÃO: GOSTAVA DE FAZER O 'FAME'
“Gostava
de fazer parte do novo projecto da TVI, ‘Fame’ na escola de artes,
porque sou especificamente ligada a essa área. Acho que o poder da
ficção pode tornar as coisas realidade e, através da ficção, podemos
dar bons exemplos e estimular as pessoas para concretizarem sonhos na
vida real. Gostava de as levar a acreditarem que ainda há muitas coisas
para serem feitas dentro das artes performativas no país.”